Vibe coding não começa no prompt.
Começa no contexto.
Um agente sem contexto trabalha por aproximação. Ele tenta adivinhar o projeto, o tom, as restrições, a arquitetura e o critério de pronto.
Às vezes acerta. Muitas vezes só parece que acertou.
Contexto não é enfeite. É infraestrutura de trabalho.
Cada etapa pede um contexto próprio.
Diagnóstico não usa o mesmo contexto do planejamento.
Planejamento não usa o mesmo contexto da implementação.
Juntar tudo no mesmo prompt é pedir que o agente misture pergunta, decisão e execução.
O que conta como contexto
Contexto não é despejar tudo no chat.
Contexto bom é informação organizada, atual e útil para a tarefa.
Pode estar em:
AGENTS.md;README.md;PLANS.md;- documentação em
docs/; - código existente;
- testes;
- decisões registradas;
- critérios de pronto;
- comandos de validação.
O agente precisa entender onde está pisando.
Não para obedecer cegamente. Para agir com menos ruído.
O erro do chat único
Uma prática ruim é tentar rodar todo o vibe coding em um único chat, conversa ou tarefa.
Parece eficiente.
Não é.
Conversas longas acumulam intenção, correção, desvio, exceção e improviso. Depois de muitas voltas, ninguém sabe exatamente qual decisão ainda vale.
O agente perde nitidez.
A pessoa também.
Exploração, planejamento, implementação e revisão são fases diferentes. Misturar tudo em uma conversa só transforma o processo em uma massa difícil de auditar.
O mesmo vale para o prompt.
Não peça diagnóstico, planejamento e implementação no mesmo pedido.
Cada etapa deve ser uma tarefa separada, com entrada, objetivo e saída próprios.
Um projeto não deve depender da memória frágil de uma janela aberta.
Deve depender de arquivos, histórico, validações e decisões registradas.
Uma etapa por tarefa
O melhor fluxo é menor.
Mais simples.
Mais verificável.
Diagnóstico é uma tarefa.
Planejamento é outra.
Implementação é outra.
Elas devem acontecer nessa ordem.
E devem acontecer em prompts separados.
Essa regra também vale para qualquer prompt de exemplo.
Um prompt sugerido deve focar em uma única etapa: diagnóstico, planejamento ou implementação.
Se o prompt é de diagnóstico, ele não deve pedir plano.
Se o prompt é de planejamento, ele não deve pedir alteração de código.
Se o prompt é de implementação, ele deve partir de um plano aprovado e executar apenas uma parte dele.
O exemplo precisa ensinar a fronteira.
Não apenas resolver o caso.
Diagnóstico
O diagnóstico serve para entender o estado atual.
Ele não deve planejar a solução inteira.
Ele não deve editar arquivos.
Etapa: diagnóstico.
Leia AGENTS.md, README.md e os documentos relevantes.
Faça apenas um diagnóstico.
Não implemente nada.
Não crie plano detalhado ainda.
Liste contexto encontrado, lacunas, riscos e dúvidas.
Planejamento
O planejamento serve para transformar diagnóstico em sequência de trabalho.
Ele não deve implementar.
Ele deve criar etapas pequenas, verificáveis e ordenadas.
Etapa: planejamento.
Com base no diagnóstico aprovado, crie um plano incremental.
Não altere código.
Separe as etapas por objetivo, arquivos prováveis e validações.
Indique a primeira etapa pequena o bastante para implementação isolada.
Implementação
A implementação serve para executar uma etapa específica do plano.
Ela não deve reabrir todo o diagnóstico.
Ela não deve reinventar o planejamento.
Etapa: implementação.
Implemente apenas a etapa 1 do plano aprovado.
Antes de editar, diga quais arquivos pretende alterar.
Depois rode as validações disponíveis.
Liste arquivos alterados, riscos e pendências.
Esses prompts são limitados de propósito.
Limite não atrapalha o agente. Limite dá direção.
Se o prompt pede diagnóstico, planejamento e implementação ao mesmo tempo, ele já começou errado.
Vibe coding bom não é uma grande sessão heroica.
É uma sequência de ciclos claros.
Skills não são decoração
Skills existem para ampliar a capacidade do agente em situações específicas.
Essa é a parte importante: específicas.
Usar uma skill sem necessidade é uma má prática.
Ela pode adicionar instruções demais, chamar ferramentas erradas, aumentar o custo da tarefa, produzir arquivos desnecessários ou deslocar o foco do problema real.
Nem toda tarefa precisa de uma skill.
Corrigir um texto simples não exige o mesmo aparato de criar uma apresentação. Ajustar um post não exige o mesmo fluxo de investigar uma falha de CI. Implementar uma pequena alteração de layout não exige transformar a tarefa em pesquisa ampla.
A pergunta correta é:
Esta skill ajuda diretamente a etapa atual?
Se a resposta for não, não use.
Ferramenta boa também precisa de hora certa.
Contexto demais também atrapalha
Existe o outro erro: enviar contexto demais.
Um agente não melhora só porque recebeu mais arquivos, mais links, mais regras e mais histórico.
Ele melhora quando recebe o contexto relevante.
Antes de pedir qualquer etapa, vale separar:
- o objetivo daquela etapa;
- os arquivos prováveis;
- as restrições;
- os exemplos importantes;
- os comandos de validação;
- o que não deve ser alterado.
O resto pode esperar.
Contexto bom é recorte.
Como dividir uma tarefa grande
Quando a ideia for grande, não peça tudo.
Transforme em etapas.
1. Diagnóstico: entenda o problema, o repositório e os riscos. Não planeje em detalhe. Não implemente.
2. Planejamento: transforme o diagnóstico aprovado em etapas pequenas. Não implemente.
3. Implementação: execute apenas uma etapa aprovada.
4. Validação: rode os comandos disponíveis e revise o resultado.
5. Registro: documente decisões, riscos e próximos passos.
6. Próxima etapa: só avance depois que a anterior estiver validada.
Esse fluxo protege o projeto.
Também protege a sua cabeça.
Você não precisa decidir tudo em um único fôlego. Precisa criar condições para a próxima decisão ser melhor.
Um prompt ruim
Etapa declarada: diagnóstico.
Faça o diagnóstico.
Depois, na mesma tarefa, crie o plano e implemente tudo que for necessário
para resolver o projeto inteiro.
Esse pedido abre portas demais.
O agente terá que diagnosticar, decidir e executar ao mesmo tempo.
Pode parecer produtivo no começo. Mas o custo aparece depois, quando cada ajuste exige desfazer escolhas que nunca foram realmente decididas.
Um prompt melhor
Etapa: diagnóstico.
Leia AGENTS.md e docs/convencoes-conteudo.md.
Faça apenas o diagnóstico para a publicação de um novo post.
Não planeje a implementação.
Não edite arquivos.
Liste contexto encontrado, riscos, dúvidas e próximos passos sugeridos.
Esse pedido tem fronteira.
Ele separa leitura de decisão. Separa decisão de execução. Evita que uma boa ideia vire mudança automática antes da revisão humana.
É assim que o agente trabalha melhor.
Não por liberdade total.
Por direção suficiente.
O princípio
Contexto é a diferença entre pedir ajuda e dirigir trabalho.
Skills devem entrar quando servem ao ciclo atual.
Conversas devem ser pequenas o bastante para serem compreendidas.
Tarefas devem ser pequenas o bastante para serem validadas.
Diagnóstico, planejamento e implementação devem ser separados.
Sempre em sequência.
Nunca no mesmo prompt.
O projeto deve carregar sua própria memória.
Vibe coding não é deixar a máquina correr.
É criar um ambiente onde ela corre na direção certa.